Poeminha do Contra de Mario Quintana
- Arte Ao Redor
- há 7 horas
- 2 min de leitura
Mário Quintana nasceu em 30 de julho de 1906. Mais de um século depois, continua sendo um dos poetas brasileiros mais citados — e, talvez por isso mesmo, um dos mais mal compreendidos. A circulação intensa de seus versos nas redes sociais transformou parte de sua obra em frases de efeito, quase sempre destacadas do contexto. Há um Quintana domesticado que não faz justiça ao escritor. Basta voltar aos poemas para perceber outra coisa.
Sua escrita nunca dependeu de grandes demonstrações de erudição nem de construções monumentais. Ela trabalha em escala reduzida. Um gesto mínimo, uma palavra deslocada, um humor que parece inocente e, de repente, aquilo que parecia simples abre um espaço inesperado para o pensamento.
Poeminha do Contra pertence a esse grupo de textos. Quase todo brasileiro conhece seus quatro versos. Poucos, entretanto, se demoram neles.
O poema começa como quem descreve um obstáculo bastante comum: gente que atravanca o caminho. Nada de extraordinário. A surpresa não está aí, mas na maneira como o eu lírico decide responder. Não há promessa de revanche, nem desejo de vencer quem impede a passagem. O último verso faz um pequeno desvio na linguagem e, com ele, muda também a lógica do poema.
Talvez essa seja uma das marcas mais bonitas da poesia de Quintana. Em vez de enfrentar o peso com mais peso, ele inventa uma saída que só existe porque a linguagem permite. A liberdade aparece antes como imaginação do que como força.
Na véspera do aniversário de Mário Quintana, vale menos repetir uma frase famosa do que reencontrar o poeta que ainda consegue nos surpreender.
Poeminha do Contra
(Mario Quintana)
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!
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