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A arte conceitual e o questionamento sobre o próprio conceito de arte

O conceitualismo se utiliza, portanto, de meios e materiais que não apresentam necessariamente uma relação direta com as artes plásticas, valendo-se da imaginação, do idealismo e do conceito da obra prevalecendo sobre sua materialidade.

Neste artigo abordaremos a Arte Conceitual ou Conceitualismo, movimento artístico nascido da sobrevalorização do conceito e que teve seu ápice durante as décadas de 60 e 70 do século XX. Os primeiros indícios de tal sobrevalorização surgiram ainda no início do século por vários artistas, entre eles, Marcel Duchamp e Keith Arnatt, artista nascido em 1930 na Inglaterra (país que se tornou importante foco da arte conceitual).

A definição do dicionário “Aurélio” para conceitualismo é:

”S. m. Hist. Filos. 1. Doutrina segundo a qual os universais não existem em si mesmos, sendo construções do espírito; realismo conceitual. 2. Doutrina segundo a qual as ideias são formas ou operações próprias do pensamento e não meros sinais que se aplicam igualmente a indivíduos diversos; realismo moderado.”

Como movimento artístico, o conceitualismo é o que considera a ideia, o conceito por trás da obra de arte como superior ao próprio resultado final. Ou seja, o que importa é a invenção da obra, a concepção elaborada antes de sua materialização e a indagação do próprio conceito de arte.


Em 1967, Sol Lewitt escreveu sobre o tema afirmando que a função do artista não seria mais a de propor formas, mas estimular reflexões sobre o próprio sentido da arte e suas funções e sobre o que poderia ou não ser considerado arte. Já Joseph Kosuth reivindicou a tautologia sobre a definição de arte, afirmando que a arte é o que o artista afirma como tal e/ou tem intenção de apresentar como arte. A Arte Conceitual surgiu efetivamente a partir dos Happenings e da influência do Ready Made de Marcel Duchamp, artista francês que viveu a influência do Cubismo, do Futurismo e do Surrealismo. Duchamp pretendia estabelecer, através de sua arte, novas verdades e questionamentos, defendendo a possibilidade de transpor qualquer objeto à condição de arte. Sua proposta consistia em retirar objetos de seu contexto inicial e colocá-los em museus ou galerias provocando reflexões sobre o próprio conceito de arte.


Outra vertente foi o “Happening” (acontecimento), termo usado pelo Americano Allan Kaprow no final dos anos 50 para designar uma ação que se desenvolvia diante do público, centrando-se no comportamento humano e no meio circundante. O conceitualismo se utiliza, portanto, de meios e materiais que não apresentam necessariamente uma relação direta com as artes plásticas, valendo-se da imaginação, do idealismo e do conceito da obra prevalecendo sobre sua materialidade.


Outra manifestação característica desses artistas foi o emprego de palavras e frases na representação de suas obras, como se pode observar em algumas obras de Bruce Nauman, escultor, fotógrafo, desenhista, cineasta e videoartista que empregou seu corpo e linguagem como tema, utilizando peças de neon e construções com paredes textualizadas.

foto da obra chamada Violins Violence Silence de Bruce nauman. é uma obra de néon autoexplicativa que exibe as palavras "violinos, violência, silêncio". A obra é feita com tubos de neon e suspensa por uma moldura transparente em vidro.
"Violins Violence Silence" (1981-82), de Bruce Nauman

Outras manifestações artísticas

No mesmo período outras formas de manifestações artísticas consequentemente se inseriram na arte conceitual. São elas:

- “Body Art” (arte do corpo) – Emprego do corpo como forma de expressão, transgressão ou manifestações diversas.

- “Land Art” ou “Earth Art” (arte da terra) – Arte executada na terra, vegetação, pedras. Surgiu e se desenvolveu nos EUA através das “instalações”. Esse estilo pretendia intervir nos espaços naturais.

- “New Dada” (Novo Dadaísmo ou Novo Realismo na Europa) – Movimento que pretendia retomar, através da fotomontagem e da colagem de materiais, de uma forma atualizada, o espírito do Dadaísmo de Marcel Duchamp, Man Ray e Kurt Schwittes.

- “Minimal Art” (Minimalismo) – Corrente nos anos 60 e 70, o estilo pretendia desenvolver uma arte baseada na simplicidade, reduzida a materiais e formas geométricas e monocromáticas.

A Arte Conceitual tornou-se um grande fenômeno artístico internacional na década de 60 e suas manifestações foram as mais diversas. As ideias expressas pelos artistas conceituais têm sido extraídas da filosofia, do feminismo, da psicanálise, de estudos do cinema e do ativismo político.


Uma vez levantados, estes questionamentos sobre o sentido, a definição e a função da arte não se apagaram e nem se resolveram. Atualmente, é necessária a reflexão sobre a reprodução do tipo de arte que se propôs no início do movimento conceitualista, questionando-se o que se perdeu da sua proposta inicial tornando-se mera reprodução da antiestética por ela mesma. Por isso, encerramos este artigo com um trecho da letra da música “Bienal”, de Zeca Baleiro, que aborda brilhantemente o assunto.


Trecho da letra da música Bienal, de Zeca Baleiro.
Bienal, de Zeca Baleiro

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