Sou Negro, de Solano Trindade
- Arte Ao Redor

- há 50 minutos
- 1 min de leitura
No Dia da África, celebrado em 25 de maio, recordar Solano Trindade é reconhecer a força de uma poesia que une memória histórica, ancestralidade e consciência política. Em versos diretos e profundamente afirmativos, o poeta transforma a experiência negra no Brasil em canto de resistência, evocando a África, a escravidão, o Maracatu, Zumbi, a capoeira, a Revolta dos Malês e o desejo permanente de libertação.
Sou Negro
Solano Trindade
a Dione Silva
Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh’alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs
Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu
Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na minh’alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação
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