Nordeste, de Jorge de Lima
- Arte Ao Redor

- há 3 dias
- 1 min de leitura
Jorge de Lima é um dos nomes centrais da poesia brasileira do século XX. Integrante da segunda geração do modernismo, o autor desenvolveu uma obra marcada pela força imagética, pelo diálogo com a religiosidade, pela memória histórica e pela presença da cultura popular.
Publicado originalmente em 1932, o poema “Nordeste” reúne, em poucos versos, imagens de fé, violência, seca e mito, compondo um retrato denso e simbólico da experiência nordestina. Trata-se de um texto em que a oralidade e o imaginário coletivo se articulam de maneira expressiva, revelando uma visão profunda da região e de suas contradições.
Nordeste
(Jorge do Lima, "Poemas Escolhidos", 1932)
Nordeste, terra de São Sol!
Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,
que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos
para os comer.
São Tomás passou por aqui?
Passou, sim senhor!
Pajeú! Pajeú!
Vamos lavar Pedra Bonita, meus irmãos,
com o sangue de mil meninos, amém!
D. Sebastião ressuscitou!
S. Tomé passou por aqui?
Passou, sim senhor.
Terra de Deus! Terra de minha bisavó
que dançou uma valsa com D. Pedro II.
São Tomé passou por aqui?
Tranca a porta, gente, Cabeleira aí vem!
Sertão! Pedra Bonita!
Tragam uma virgem para D. Lampião!
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