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MÚSICA SURDA, de Dante Milano

  • Foto do escritor: Arte Ao Redor
    Arte Ao Redor
  • há 5 horas
  • 1 min de leitura

Para celebrar o mês de nascimento de Dante Milano, escolhemos “Música Surda”, poema em que a imagem do mundo surge atravessada por névoa, naufrágio e esquecimento. A palavra poética aqui não busca consolo fácil; antes, escuta o silêncio das coisas, a passagem do tempo e a luz que se desfaz lentamente, como se a própria existência fosse vista de longe, por entre a bruma.


Em poucos versos, Milano constrói uma paisagem interior de rara densidade: o mar, o farol, a ampulheta e a cinza aparecem como sinais de uma vida percebida em sua fragilidade. É uma poesia contida, mas profunda — dessas que não gritam, apenas permanecem a ressoar por dentro.



MÚSICA SURDA

(Dante Milano)


Como num louco mar, tudo naufraga.

A luz do mundo é como a de um farol

Na névoa. E a vida assim é coisa vaga.


O tempo se desfaz em cinza fria,

E da ampulheta milenar do sol

Escorre em poeira a luz de mais um dia.


Cego, surdo, mortal encantamento.

A luz do mundo é como a de um farol...

Oh, paisagem do imenso esquecimento.

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