Ismália, de Alphonsus de Guimaraens
- Arte Ao Redor

- há 3 minutos
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No dia 24 de julho, data de nascimento de Alphonsus de Guimaraens, revisitamos “Ismália”, talvez o poema mais conhecido de sua obra. Nele, a loucura não aparece como ruptura brusca, mas como um estado de suspensão: Ismália está entre a torre e o mar, entre a lua verdadeira e a lua refletida, entre o desejo de subir e o impulso de descer.
A musicalidade dos versos quase encobre a violência da cena. Tudo parece leve, mesmo quando o corpo cai. Talvez por isso o poema permaneça tão vivo. Ele não explica Ismália, tampouco procura salvá-la, nem reduzi-la a um símbolo. Apenas acompanha o seu movimento impossível, dividido entre duas luas.
Ismália
(Alphonsus de Guimaraens)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
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