• Luiza Pessôa

Arte e Educação: por mais qualidade no ensino da arte na educação formal.


É preciso estimular o potencial criativo do aluno abrindo espaço para a experimentação artística.

Na contramão das atuais políticas públicas, o artigo de hoje defende a importância de uma educação cultural e artística de qualidade como essencial à formação dos estudantes.


No âmbito da educação formal, o ensino da arte é, muitas vezes, desprezado. Quando não ausente, mantém, frequentemente, um enfoque apenas em sua função recreativa e carece de conteúdo significativo, sensibilizante ou histórico. Sem descartar o valor da função recreativa do fazer artístico, serão ressaltados aqui outros aspectos imanentes à arte que, na maior parte das vezes, são negligenciados nos programas do ensino regular.


A arte é uma forma de expressão, de comunicação e de compreensão do mundo. Através dela pode-se perceber, refletir e transformar realidades. Ela é o espelho de uma sociedade e de suas mentalidades e engrenagens e, por isso mesmo, é também uma ferramenta de transformação de tais engrenagens. Por essa razão, o ensino da arte não pode se descolar da historicidade: toda produção artística deve ser lida a partir de seu contexto histórico. Assim como não se deve ignorar o aspecto sensibilizante da arte. Segundo Rubem Alves:


“A educação se divide em duas partes: a educação das habilidades e a educação das sensibilidades[...]sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas”.


O ensino da arte favorece uma prática educativa orientada pela citada linha de pensamento de Rubem Alves, visto que a arte toca diretamente nas sensibilidades.

Para isso, no entanto, o educador precisa compreender a arte como forma de expressão e estimular em seus alunos a potencialidade de perceber e transmitir suas percepções de mundo, sentimentos, ideias e ideais através das artes.


A arte foi incluída no currículo escolar, em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. No entanto, não era considerada uma disciplina, mas sim, atividade educativa. Além disso, até meados dos anos 60 praticamente não existiam cursos de formação profissional na área e os professores não estavam, portanto, preparados para propor tais atividades de maneira qualificada. Com o passar dos anos, surgiram discussões que opunham opiniões sobre a obrigatoriedade da arte nos currículos escolares. Com a Lei n. 9.394/96 a Arte foi considerada obrigatória na educação básica:


“O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.” (art. 26, § 2 o).


É preciso reconhecer a disciplina de arte-educação como tão importante como qualquer outra, o que, aliás, consta no documento do MEC elaborado em 1997 que define os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino da arte, como se pode observar:


“Na proposta geral dos Parâmetros Curriculares Nacionais, Arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem.” (PCN-Artes, 1997)


Ainda segundo o PCN – Artes: “Ensinar arte em consonância com os modos de aprendizagem do aluno, significa, então, não isolar a escola da informação sobre a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e prazerosos que se apresentam durante a atividade artística.”


Infelizmente, não é essa a prática de arte-educação predominante nas escolas brasileiras. Muitas vezes, nem mesmo a obrigatoriedade do ensino da arte é cumprida e quando é, o comum é restringir-se a atividades de desenhos ilustrativos de datas comemorativas, atividades de colorir ou decoração do ambiente escolar.


Agrava esse cenário, o crescente discurso de desvalorização das artes. Observando-se de perto e com olhos bem abertos as práticas e programas de educação artística no ensino regular - ou a ausência desses - percebe-se que as condições que perpetuam uma educação artística pautada apenas na recreação, isolada de contextualização e que propõe a reprodução de formas e padrões estéticos pré-determinados, servem a um ideal que se fortalece no adestramento e homogeneização das opiniões e reproduz mecanismos do ensino tecnicista.


O ensino da arte precisa compreender três pilares: o fazer, o ver e o contextualizar, não necessariamente nessa ordem e de forma interdisciplinar. É preciso proporcionar aos alunos a experiência fundamental e transformadora da arte, da arte genuína não ditada pela lógica do consumo. É preciso estimular o potencial criativo do aluno abrindo espaço para a experimentação artística. É necessário educar o olhar para ver além da forma. É recomendável que se crie diálogos interdisciplinares entre a Arte e a História, a Geografia, o ensino de Línguas e literaturas. É essencial que se provoque o debate e a reflexão. É importante sensibilizar para a experiência estética. Apenas um ensino que priorize a integração entre a aprendizagem estética e a reflexão, que estimule conjuntamente as sensibilidades e as habilidades dos alunos poderá contribuir de forma consistente para a formação global dos estudantes.

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