• Angelo Tribuzy

A Música renascentista e a consagração da música instrumental

Até o começo do século XVI, os instrumentos eram considerados menos importantes comparados às vozes. foi na Renascença que a força e a cor da massa instrumental adquiriram aparência própria.

A cultura renascentista é um símbolo de um mundo em transição. Apresenta como tendências baseadas em linhas opostas de pensamento: o sentido de renascer (reviver, re­criar, despertar) e o de restaurar (resgatar uma velha ordem estabelecida).


A renascença musical manifestou-se em dois momentos: um movimento de caráter religioso contra os excessos sensuais e certos costumes; e a renascença musical, propriamente dita, que se desenvolveu desde a Idade Média até atingir a plenitude no fim do século XVI e começo do século XVII. A região franco-flamenga foi o foco de irradiação da música renascentista.


Até o começo do século XVI, os instrumentos eram considerados menos importantes comparados às vozes. Eram utilizados nas peças de dança, acompanhando o canto, duplicando a voz ou até substituindo-a. Mas foi na Renascença que a força e a cor da massa instrumental adquiriram aparência própria. Durante o século XVI, os compositores se interessaram em escrever músicas nas quais os instrumentos tinham sua própria autonomia.


A Renascença modificou usos e costumes em todas as be­las artes. Aumentava-se o âmbito sonoro, sobretudo na região grave, porém, pobre, pois até então, a nota mais profunda era o sol escrito na primeira linha da clave de fá na quarta. Foram criados muitos tipos de instrumentos, como a viola da bamba e o lira da gamba, por exemplo; au­mentou-se o número de cordas do alaúde; o órgão recebeu os pedais; o fagote entrou nos conjuntos musicais.


Os principais instrumentos renascentistas eram: o alaúde, com cordas afinadas em pares uníssonos; a viola, com seis cordas, geralmente tocada na posição vertical; o cromorne, instrumento de madeira com um pequeno tampão encobrindo a palheta dupla, com som agudo; o cervalato, com palheta dupla e som grave; a sacabuxa, an­tepassado do trombone de vara; o trompete, que nessa época teve seu tubo dobrado, fazendo voltas, suas poucas notas eram obtidas através da pressão dos lábios; e os instrumentos de percussão, que incluíam: tambo­ril, tambor, tímpano, caixa clara, triângulo e címbalo.


Muitos instrumentos eram produzidos em "famílias", o mesmo instrumento era fabricado em diferentes tamanhos e dentro de cada família de instrumentos havia uma variedade de registros, mas em diversas afinações. A família de instrumentos era designada pelos elisabetanos de consort.


Os principais tipos de peças da Renascença eram: a canzona, escrita frequentemente para dois ou mais grupos de instrumentos, ao estilo policoral veneziano; o ricercar, em que se usava amplamente a imitação; a tocata, para órgão ou cravo, que exigia bastante habilidade com os dedos.

Havia variações sobre temas populares e aquelas baseadas em um ostinato, em que a melodia era repetida continuamente no baixo. Encontrava-se ainda o título “fantasia”, pe­ças contrapontísticas, com grande dose de imitação.


A música instrumental profana do século XVI foi mais significativa em suas composições ou adaptações de obras para alaúde, instrumento que teve difusão comparada a do violino nos séculos XVII e XVIII ou a do piano nos séculos XIX e XX.


No período em que a música instrumental limitava-se a substituir as vozes por instrumentos, o órgão era o grande prestigiado. O alaúde adquiriu preponderância porque os compositores podiam, com ele, mostrar com maior facilidade suas fantasias ricas em ornamentação. Grande literatura musical foi deixada sobre este instrumento.

Na Inglaterra, nos lares elisabetanos, além das flau­tas, alaúdes e violas era comum a presença de um instrumento de teclado, como um órgão, um clavicórdio ou um virginal. Este último, o mais popular entre os instrumentos de teclado. A maioria dos compositores elisabetanos escreveu peças para este instrumento, entre eles: Byrd, Bull e Gibbons.

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