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Pneumotórax, de Manuel Bandeira

  • Foto do escritor: Arte Ao Redor
    Arte Ao Redor
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Pneumotórax

(Manuel Bandeura)


Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:


— Diga trinta e três.

— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...

— Respire.


....................................................


— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.



Manuel Bandeira (1886–1968) é um dos nomes centrais da poesia brasileira moderna. Sua obra, marcada por linguagem clara, intensidade lírica e profunda consciência da fragilidade humana, aborda temas como a morte, a memória, o cotidiano e a precariedade da existência. Tendo convivido, desde jovem, com a tuberculose, Bandeira incorporou à sua escrita uma experiência direta da doença, da limitação e da finitude, sem abrir mão, contudo, da ironia e da força expressiva. No poema “Pneumotórax”, um de seus textos mais conhecidos, essas características aparecem de modo exemplar: a gravidade do tema é atravessada por um humor inesperado e amargo, que transforma a dor em poesia e revela, com extrema concisão, a singularidade de sua voz literária.

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