Animais e a Peste
- Arte Ao Redor

- há 1 dia
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Uma fábula de tradição clássica, em adaptação de Monteiro Lobato
Publicamos hoje esta fábula como uma antecipação simbólica do dia 18 de abril, data em que se celebra o nascimento de Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil. O texto tem origem em Jean de La Fontaine, autor de Les Animaux malades de la peste, e foi recriado por Lobato em seu livro Fábulas (1922), onde ganha uma linguagem direta e uma ironia afiada, voltadas ao leitor brasileiro.
Animais e a Peste
(La Fontaine / adaptação de Monteiro Lobato)
Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, mais apreensivo, consultou um macaco de barbas brancas.
— Esta peste é um castigo do céu — respondeu o macaco — e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós.
— Qual? — perguntou o leão.
— O mais carregado de crimes.
O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:
— Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o sacrifício necessário ao bem comum.
A raposa adiantou-se e disse:
— Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. São coisas que até honram o nosso virtuosíssimo rei Leão.
Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício.
Apresentou-se em seguida o tigre e repetiu-se a cena. Acusou-se de mil crimes, mas a raposa mostrou que também ele era um anjo de inocência.
E o mesmo aconteceu com todas as outras feras.
Nisto chega a vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:
— A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve da horta do senhor vigário.
Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:
— Eis, amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra, porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.
Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimemente eleito para o sacrifício.
Moral da estória
Aos poderosos, tudo se desculpa…
Aos miseráveis, nada se perdoa.
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Sobre a autora: Luiza Pessôa é bailarina, coreógrafa, graduada em História, pós-graduada em História da Arte com especialização em Arte e Educação.





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