• Ao Redor - Cultura e Arte

A arte contra o preconceito racial

Comemorou-se, no dia 03 de julho, o Dia Nacional de Combate à discriminação racial. A escolha da data deve-se ao aniversário de aprovação da primeira lei contra o racismo na Constituição Brasileira que, em julho de 1951, determinava que práticas de preconceito por cor ou raça são contravenções penais. Infelizmente, apesar de avanços, o racismo ainda faz parte da realidade brasileira.


Acreditando na arte como ferramenta de transformação social e como instrumento de combate à intolerância e ao preconceito, o Ao Redor apresenta, na publicação de hoje, expressões artísticas atuais pautadas na educação e conscientização antirracista.


Artes plásticas contra o racismo

“Sanagê Pele e Osso” – artista propõe imersão na diáspora africana e na questão racial em telas e objeto escultórico.
O artista Sanagê ao lado de uma de suas obras.

A exposição do artista Sanagê estará em cartaz no Centro Cultural Correios RJ a partir de 15 de julho de 2021. Sua obra propõe uma imersão estética e sensorial na questão racial e suas consequências na sociedade contemporânea brasileira.


A diáspora africana está presente na exposição do artista, que cria utilizando espuma expansiva. As obras fazem referência a países africanos, locais de origem ou passagem de homens, mulheres e crianças escravizados e vendidos no Brasil para trabalhar em minas e fazendas. O trabalho de Sanagê transita entre a pintura e a escultura. A exposição, que tem a curadoria de Carlos Silva, já esteve no Museu da República de Brasília, onde recebeu mais de 39 mil pessoas, e no MAB – Museu de Artes de Blumenau - e agora permanecerá no Centro Cultural Correios RJ até o dia 27 de agosto.


A entrada é gratuita e a visitação estará aberta de terça a sábado, das 12h às 19h. O Centro Cultural segue as medidas sanitárias indicadas na prevenção de Covid19.

Para mais informações, acesse o site do Centro Cultural Correios.



Literatura contra o racismo

“E Se fosse Você”, da autora Anete Lacerda. Uma sugestão de leitura para inspirar o diálogo entre pais e educadores sobre o preconceito racial no ambiente escolar.

O livro, de Anete Lacerda com ilustrações de Fernando Hugo Fernandes, é voltado para crianças, pais e educadores e fala de tolerância e respeito a partir da história de Lili, uma criança de seis anos, alegre e brincalhona, que apresenta mudanças de comportamento após sofrer bullying em sua nova escola.

Para a autora, a vida só vale a pena quando é possível tocar o coração das pessoas. Anete diz que se surpreendeu em seu lançamento, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, quando as pessoas se manifestaram dizendo que a história de Lili (a personagem principal do livro) era a sua história.

“Precisamos nos unir no combate a toda e qualquer discriminação. Abordar temas tão sérios de forma lúdica com as crianças é uma esperança de que podemos construir uma sociedade mais empática, que conviva bem com as diferenças”, comenta Anete.


A editora do livro é a Colli Books, especializada no segmento de livros paradidáticos.

Para mais informações, acesse o site www.collibooks.com.br



Uma "escrita-pintura" contra o racismo

o artista plástico e poeta Cipriano mescla pintura e literatura em uma produção inspirada em elementos da cultura afrodescendente.

Pedro Ivo Cipriano Inocêncio é artista, petropolitano, negro, licenciado em Letras e pós-graduado em Metodologia do Ensino em Artes. Seu interesse pelas artes surgiu ainda na escola, atraído pelas artes plásticas nas aulas de educação artística.


“Recordo-me da disciplina de Educação artística, na Escola Estadual Cardoso Fontes em Petrópolis, onde eram ministradas aulas que me levaram a uma identificação com o tema, as artes plásticas. No entanto, de forma alguma via a presença de artistas com os quais eu pudera me identificar com mais propriedade: artistas negros ou uma arte negra, arte afro-brasileira”.


O incômodo causado pela presença eurocêntrica da arte no universo escolar e acadêmico motivou cada vez mais suas pesquisas e produções voltadas para as temáticas negras. inquietação que orientou também sua trajetória na faculdade de Letras: “Nesse momento, o foco foi literatura negra, literatura africana de expressão portuguesa. Como quase tudo que toca o assunto negro, o tema Literatura Africana era uma coisa rara na faculdade.” Nesse período, Cipriano direcionou seus estudos ao poeta Antonio Agostinho Neto, autor angolano, tema de sua monografia.


Hoje, o artista define sua arte como uma “Macumba Pictórica”, uma produção artística que explora o entrelaçamento das artes visuais e da literatura, especialmente inspirada nos terreiros de Umbanda, que carrega elementos que ajudam a contar "uma história de resistência e força dos povos sequestrados de África", ou, ainda nas palavras de Cipriano, uma “escrita-pintura de cura do pensamento colonizado”.


O artista já participou de diversas exposições individuais e coletivas em várias galerias de arte da cidade de Petrópolis, entre elas a Galeria Djanira, no Centro de Cultura Raul de Leoni, a galeria de arte do SESC e a galeria de arte da FASE.


Visite o site oficial de Cipriano

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Obra de Pedro Ivo Cipriano