Versos de Natal, de Manuel Bandeira
- Ao Redor - Cultura e Arte

- 26 de dez. de 2020
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Hoje, o Ao Redor faz uma breve pausa na publicação de novos poetas para apreciarmos juntos os versos do nosso consagradíssimo Manuel Bandeira, escritos em 1939, que dedicamos hoje a todos os meninos e meninas que habitam em nós.
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
– Manuel Bandeira, em ‘Lira dos cinquent’anos’ 1940.



A afirmação de que Manuel Bandeira é a ponte entre Machado de Assis e o Modernismo por tê-lo conhecido pessoalmente é uma simplificação que mistura um fato biográfico com a crítica literária.
O Encontro Pessoal
Manuel Bandeira de fato teve um breve encontro casual com Machado de Assis em um bonde (ou trem, dependendo da fonte) no Rio de Janeiro quando Bandeira ainda era um menino, por volta dos dez anos de idade. Ele relatou o episódio em suas memórias, descrevendo como recitou uma oitava de "Os Lusíadas" para o mestre, que havia esquecido as palavras exatas, o que lhe causou grande orgulho. Mais tarde, na velhice, Bandeira teria confessado que a história tinha elementos de "mentirinha" ou embelezamento poético,…