• Angelo Tribuzy

Robert Schumann – O Compositor-Poeta

Atualizado: Jul 12

A tensão entre os opostos caracterizou o Romantismo e foi a sua maior batalha durante a vida, refletindo sua luta contra a loucura.

Robert Schumann foi advogado, poeta, pianista, compositor e crítico. Mas foi o compositor que marcou sua presença na História. Um compositor-poeta, ou poeta-compositor, pois sua música tinha como característica o uso de sons no lugar de palavras. Isso ele fez com maestria, pouquíssimos artistas encarnaram o espírito do Romantismo tão bem quanto Schumann. Visões de anjos ditavam-lhe temas musicais e, depois, tornavam-se demônios em forma de hiena e de tigre, acompanhados dessa vez de uma música tenebrosa e assustadora. A tensão entre os opostos caracterizou o Romantismo e foi a sua maior batalha durante a vida, refletindo sua luta contra a loucura.


Nascido em 8 de junho de 1810 na cidade de Zwickau, Saxônia, Alemanha, Robert Alexander Schumann começou seus estudos de música aos sete anos de idade. E foi cedo, que se apaixonou também pela leitura e depois pela escrita. Essas paixões fizeram-lhe surgir o primeiro dilema: ser músico ou poeta?

Em 1826, sua querida irmã, Emília, mentalmente enferma, suicidou-se num acesso de loucura. Em seguida, perdeu o pai, cuja saúde estava fraca e não suportou o choque da morte da filha. Schumann tornou-se depressivo e melancólico. Dois anos depois encontrou no Direito, profissão escolhida pela mãe, outro conflito: ser advogado ou músico? Novamente, a música falou com mais força à sua alma.

Schumann, que tinha uma tendência revolucionária para a época, não encontrou o sucesso em vida.

Seu novo professor, Friedrich Wieck, o via como um talentoso pianista. Mas, esse talentoso pianista, de tanto forçar-se para ser um virtuose, teve o dedo anular paralisado após o uso de uma ligadura para tornar esse dedo independente. Morria o pianista, mas nascia de vez, o compositor de inúmeras peças para piano, concertos, quartetos, quintetos e lieder.

Apaixonou-se, o poeta-compositor, pela prodigiosa pianista Clara Wieck, filha do seu professor que fez todo o esforço possível para impedir o namoro dos dois. Mas o namoro aconteceu e, depois, o casamento.

Schumann, que tinha uma tendência revolucionária para a época, não encontrou o sucesso em vida. Só através das interpretações da sua viúva e de alguns amigos, entre eles, Brahms, que a sua música seria finalmente reconhecida.

Nos últimos anos de sua vida, já atormentado pela loucura, o compositor-poeta se atirou no Rio Reno, a fim de morrer. Foi salvo por barqueiros e internado no asilo de Endenich, próximo a Bohn, onde ficou isolado até falecer em 29 de julho de 1856, ao lado de sua esposa.

Clara Schumann, que testemunhou os últimos momentos do compositor, relatou: Ele sorriu-me, e com grande esforço enlaçou-me nos seus braços. Eu não trocaria esse abraço por todos os tesouros do mundo”.

Supõe-se que a demência de Schumann tenha sido decorrente de uma sífilis terciária que o próprio compositor admitiu ter adquirido na juventude.


Mais de 200 anos se passaram desde o nascimento de Robert Alexander Schumann. Compositor-poeta ou poeta-compositor? Não importa. O que importa é que sua vida foi vivida intensamente, como um nascido no Romantismo esperaria viver. E está sendo lembrada. E sua música, sendo tocada.



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