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O Autismo na Música: Uma Jornada de Expressão e Talento Extraordinário




A música tem o poder de transcender barreiras e conectar pessoas. Ela é uma forma de expressão que permite que sentimentos profundos sejam comunicados sem a necessidade de palavras. Para aqueles que estão no espectro do autismo, a música pode ser especialmente poderosa, oferecendo uma maneira única de se expressar e se conectar com o mundo ao seu redor. Neste artigo, exploraremos como os autistas encontram na música uma forma de expressão, bem como alguns exemplos notáveis de grandes compositores com autismo.


O Transtorno do espectro autista afeta a comunicação e a interação social. No entanto, é importante lembrar que pessoas com autismo possuem personalidades e temperamentos diversos e que suas identidades não são definidas pelo autismo. Pessoas no espectro do autismo possuem, muitas vezes, habilidades excepcionais em diversas áreas, incluindo a música. A música oferece um meio não verbal de expressão, permitindo que muitas pessoas com autismo se conectem com os outros e compartilhem suas emoções de maneira única.


Um dos aspectos mais fascinantes da relação entre autismo e música é a capacidade das pessoas com o espectro de processar e perceber a música de maneira intensa e detalhada. Pesquisas mostram que os autistas muitas vezes têm uma sensibilidade e uma afinidade especial com a música. Eles podem ter uma percepção mais aguçada dos elementos musicais, como ritmo, melodia e harmonia. Isso pode explicar por que tantos autistas encontram conforto e prazer na música.


Além disso, a música pode ajudar as pessoas com autismo a lidar com a ansiedade, aprimorar suas habilidades motoras e desenvolver a linguagem e a comunicação. Muitos terapeutas utilizam a música como uma ferramenta terapêutica que pode ajudar a melhorar a interação social, estimular a criatividade e promover o bem-estar emocional.

Glenn Gould

Existem também vários exemplos notáveis de compositores famosos que são ou eram autistas. Um dos casos mais conhecidos é o do compositor e pianista virtuoso Glenn Gould. Gould, famoso por suas interpretações de Bach, era considerado excêntrico e tinha dificuldades nas interações sociais. Ele encontrou na música uma forma de se expressar e alcançar um nível de excelência notável.


Outro exemplo é o do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, cujo trabalho é reverenciado em todo o mundo. Embora seja impossível diagnosticar o transtorno de forma retroativa, muitos estudiosos acreditam que ele exibia traços do espectro autista. Sua extraordinária habilidade musical, combinada com dificuldades sociais e comportamentais, sugere uma conexão entre seu talento musical e sua possível condição autista.


É importante reconhecer e valorizar o talento e a contribuição de artistas com autismo para a música. Ao fazê-lo, estamos construindo uma sociedade mais inclusiva, que valoriza a diversidade de habilidades e perspectivas.


A música também tem desempenhado um papel importante na inclusão de autistas na sociedade. Programas musicais em escolas e comunidades têm demonstrado ser uma forma eficaz de promover a inclusão, proporcionando um ambiente seguro e acolhedor. Muitas pessoas com autismo encontram na música um senso de pertencimento e um meio de se expressar sem medo de julgamentos.


Uma das maneiras pelas quais os autistas se destacam na música é através da improvisação. A improvisação musical oferece uma oportunidade para que essas pessoas expressem suas emoções de forma espontânea e criativa. Muitos têm uma capacidade única de improvisar, criando melodias e harmonias surpreendentes que refletem seu mundo interior. Uma elevada capacidade de concentração em suas práticas musicais também contribui para o desenvolvimento de habilidades em tocar instrumentos musicais.


Heaton, Hermelin e Pring desenvolveram uma pesquisa que demonstrou que "o grupo de crianças autistas era muito superior em identificar e reter a memória das notas musicais. No entanto, no teste de sons da fala, o outro grupo [de não autistas] teve um teste mais alto. Os resultados sugerem que pode haver algo único sobre a habilidade musical em crianças autistas" (Heaton, P., Hermelin, B., & Pring, L. ,1998).


No entanto, é importante ressaltar que cada pessoa no espectro do autismo é única, e suas experiências musicais podem variar amplamente. Enquanto alguns encontram conforto e expressão na música, outros podem ter uma relação diferente com ela. É fundamental respeitar as preferências e necessidades de cada pessoa.


À medida que continuamos a explorar a interseção entre autismo e música, é importante promover a inclusão e o acesso equitativo à música para todas as pessoas. Isso envolve a criação de ambientes musicais inclusivos, onde os autistas possam se sentir bem-vindos e apoiados. Também requer a conscientização e a educação sobre o autismo, ajudando a combater estigmas e preconceitos que possam existir.


A música transcende as barreiras da comunicação verbal, sendo capaz de expressar sentimentos e transmitir mensagens de uma maneira única e poderosa. Para muitas das pessoas com autismo, ela pode ser uma linguagem universal de emoção, beleza e conexão.


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