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A uma ausência, de António Barbosa Bacelar

António Barbosa Bacelar nasceu em Lisboa, em 1610. Poeta de corrente cultista e admirador da escrita camoniana.


A uma ausência


No rigoroso fogo que me alenta; O mal, que me consome, me sustenta; O bem, que me entretém, me dá cuidado. Ando sem me mover, falo calado; O que mais perto vejo, se me ausenta, E o que estou sem ver, mais me atormenta; Alegro-me de ver-me atormentado. Choro no mesmo ponto em que me rio; No mor risco me anima a confiança; Do que menos se espera estou mais certo. Mas se de confiado desconfio, É porque, entre os receios da mudança, Ando perdido em mim como em deserto.


António Barbosa Bacelar, in 'Fénix Renascida'